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O Uso Terapêutico do Tarot

O Uso Terapêutico do Tarot

Veet Pramad


Actualmente o Tarot é usado a partir de duas visões radicalmente diferentes e excluintes que são a divinatória ou futurológica e a terapêutica. Enquanto o Tarot divinatório pretende conhecer o futuro, o Tarot Terapêutico procura a transformação do ser humano. Para isso, trabalha esclarecendo os bloqueios, medos e padrões de comportamento que dificultam sua realização plena e dá orientações precisas para resolvê-los. Estas visões discrepam em três questões que devem ficar bem claras:

1. A questão do destino.
Para quem faz futurologia, o Tarot é um intermediário entre o Todo-Poderoso destino e os simples mortais. Assim, estes são reduzidos a espectadores de suas próprias vidas. Para o Tarot terapêutico somos os "cozinheiros" de nosso destino, continuamente o estamos criando a partir de nossas escolhas e em qualquer momento podemos mudá-lo. Futuro e destino são a resposta do universo a nossos actos, omissões e pensamentos, como a força física de acção e reacção que no Oriente é conhecida como Lei do Karma. É claro que nossa capacidade de transformar nossas vidas, isto é, de criar nosso futuro segundo nossos desejos será proporcional a nossa consciência. O Tarot bem usado é uma ferramenta para mudar o destino, pois nos ajuda a tomar consciência do que realmente está atrapalhando nossa realização e mostra que atitudes são necessárias para liberar-nos.

2. A questão da responsabilidade.
Para o Tarot divinatório o ser humano é um escravo. Que liberdade pode ter alguém cuja vida está amarrada ao destino, até o ponto de poder conhecer seu futuro? Liberdade e responsabilidade caminham juntas. Se insistimos em mostrar para nossos consulentes que suas vidas são o produto de estranhas, alheias e imprevisíveis forças como sorte, azar, vontade divina, quando não de trabalhos de magia onde intervêm entidades não encarnadas, estamos degradando seres humanos para a categoria de irresponsáveis que nunca poderão libertar- se por si mesmos. Segundo a visão terapêutica somos totalmente responsáveis pela vida que levamos. Parar de colocar a responsabilidade (ou a culpa) de nossa situação nos outros, no companheiro/a, nos pais, no chefe, no governo, no destino ... é o primeiro passo para mudar. A felicidade e a fortuna são questões de escolha e não de sorte.

3. A questão do bem e do mal.
O bem e o mal não são verdades absolutas. O que é bom para uma pessoa hoje, pode não sê-lo amanhã. O que é bom para mim, pode não ser para você. Quem pretende ajudar a curar a alma não pode trabalhar com verdades absolutas ou doutrinas, pois não existem doenças e sim doentes. No entanto considerar que existe um aspecto nosso, particularmente íntimo que não foi atingido pelas manipulações e chantagens da programação familiar, onde repousa a essência do ser humano, o Ser Superior ou Supra-consciência pode ajudar-nos muito no nosso trabalho. Estas considerações são alheias ao Tarot divinatório que geralmente toma emprestados seus conceitos de bem e mal das religiões oficiais, doutrinando ainda mais seus consultantes e dificultando que estes sejam eles mesmos.

No jogo de Tarot temos três grupos de cartas:

Os Arcanos Maiores são Arquétipos ou Idéias Universais presentes no inconsciente colectivo que mudam com a evolução da humanidade. Representam também estados de consciência e suas manifestações práticas que vão da potencialidade absoluta do Louco até a realização plena do Universo.

As Figuras da Corte ou cartas da Realeza deixam de ser pessoas, homens e mulheres com determinadas características físicas ou psíquicas que vão aparecer ou desaparecer, trazendo alegrias ou desgraças, para virar 16 tipos de personalidades que, dependendo da posição na qual aparecem, indicam máscaras ou atitudes a serem tomadas.

Os 40 Arcanos Menores são expressões de nossa vida quotidiana em quatro aspectos:
- Os de Paus (Bastões) ou de Fogo mostram como o consulente expressa sua energia, abrangendo fundamentalmente o mundo profissional sem deixar de olhar também para as manifestações instintivas.
- Os de Copas ou de Água, mostram nosso estado emocional.
- Os de Espadas ou de Ar, indicam como está nossa mente e quais são seus mecanismos mais habituais.
- Finalmente os Discos (Pentáculos, Ouros ou Moedas) ou de Terra, falam de nossa relação com nosso corpo físico e com o mundo material em geral.

Deve-se observar como se estabelece um paralelismo exacto entre a estrutura do Tarot e a do ser humano (figura 1) que facilita a entrada em profundidade nos cantos obscuros da psique.


 

Os velhos sistemas de leitura tipo: Presente, Passado e Futuro não servem mais se queremos colocar o centro da questão na auto- transformação do ser: nos padrões de comportamento, sistemas de crenças, bloqueios e medos que precisam ser dissolvidos e nas atitudes a serem tomadas. Assim, desenvolvi em 1987 a Leitura Terapêutica, a partir da tradicional Cruz Céltica, sistema baseado numa disposição de dez cartas sendo que o número inscrito em cada carta indica em que ordem a carta foi extraída do baralho.

 


Vejamos cada uma das dez posições:
1 e 2 - Momento Actual
3 - Resultado Interno
4 - Âncora
5 - Método
6 - Caminho de Crescimento
7 - Necessidade Essencial
8 - Relacionamentos
9 - Infância
10 - Resultado Externo

Uma sessão de Tarot Terapêutico não é algo muito diferente de uma consulta com um profissional da saúde. Em primeiro lugar não o visitamos porque sentimos curiosidade nem porque pretendemos nos conhecer melhor, mas porque estamos doentes, porque alguma coisa nos incomoda ou nos impede de realizar nossos objectivos.

Não ficamos satisfeitos com uma receita de um analgésico para nossa dor de cabeça nem com a promessa de nos sentirmos melhor tomando tal remédio.
Queremos, em primeiro lugar, que nosso médico avalie nossos sintomas, e descubra algum outro que nos tinha passado inadvertido e identifique a doença. Nada mais frustrante que escutar: Não sei que você tem.
Do mesmo modo no Tarot Terapêutico, as cartas do Momento Actual, que mostram as dificuldades pelas quais estamos passando, são os sintomas de uma doença formada por um conjunto de padrões de conduta programado, que podemos chamar de máscara ou script, denunciada pelas cartas da posição da Âncora.

Em segundo lugar queremos saber as causas de nossa doença e o que devemos fazer para uma vez curados, não voltarmos a ficar doentes. Para isso, o curador quer conhecer nossos hábitos alimentares, se gostamos de nosso trabalho, se fazemos exercícios físicos, se experimentamos sentimentos de raiva em casa ou no trabalho, se nossas expectativas de realização pessoal estão materializando-se, se vivemos um forte conflito emocional, etc..

A dor de cabeça que sentimos pela manhã pode ser o sinal de alarme de um fígado intoxicado por altas taxas de gordura e de raiva. Talvez estejamos compensando nossas insatisfações profissionais e familiares com os prazeres da mesa.
Precisamos limpar o fígado, alimentar-nos melhor e parar de acumular raiva. Tudo bem, mas tampouco ficamos satisfeitos. Precisamos descobrir as causas profundas que nos levam a aceitar situações com as quais não concordamos no fundo. Se não vamos até as raízes mais profundas do assunto, mudaremos, talvez, de compensações e sintomas mas continuaremos insatisfeitos e doentes.

No Tarot Terapêutico temos as cartas da posição da Infância, que mostram as origens inconscientes da Âncora, as causas profundas que nos levam à doença. Aqui, tomamos consciência dos traços de personalidade adquiridos para obter uma certa aprovação familiar fundamental para a sobrevivência psíquica da criança.
Insisto em afirmar que nossas dificuldades e doenças não procedem de agentes externos, mas estão dentro e bem dentro de nós. Estes agentes externos: vírus, germens, chefe chato, corrupção, FMI, marido ou esposa que infernizam nossa vida, podem agir no momento em que o permitimos seja abaixando nossas defesas biológicas ou desvalorizando-nos.

O Tarot divinatório geralmente coloca as causas de nossos problemas no mundo externo. Procura saber se nosso companheiro/a nos está traindo, se o sócio está roubando, se alguém jogou um mau-olhado em nossa loja. As soluções também são externas. Vai aparecer o homem/mulher de minha vida? Vou me casar com Fulano? Minha empresa ou meu namoro vão dar certo? Vou ganhar na loto?
Colocar as causas dos problemas/doenças e suas soluções fora de nós e desligadas de nossos padrões de comportamento, sistemas de crenças e conflitos emocionais, coincide a visão futurológica do Tarot com as consultas de hospital: - Doutor, tenho tais e tais sintomas, dói aqui e acolá. - Muito bem, você vai tomar este analgésico para a dor, este antibiótico para acabar com o vírus ou bactéria que está causando a enfermidade e este anti-inflamatório. Assim você vai ficar bom numa semana e vai poder voltar à sua vida normal.

Uma vez que compreendemos o conflito interno, que temos um diagnóstico, chega a hora da acção, de aplicar o remédio. Não basta saber, o fazer, "a praxis" é insubstituível. Precisamos de um método de trabalho que mude nossa vida. O doutor se preocupará prioritariamente em cortar estas raízes, sugerindo atitudes, iniciativas e remédios que nos levem a recuperar a saúde. No Tarot Terapêutico temos aqui as cartas da posição do Método.
O profissional sabe muito bem que o organismo é um sistema auto-integrado que procura o equilíbrio continuamente, tendo seus próprios caminhos para o retorno à saúde. É mais correcto, então, falar em ajudar o corpo a recuperar-se. Muitas vezes estes caminhos são confundidos com os sintomas da doença e eliminados. Um exemplo é certo tipo de gripe infantil que na verdade é um processo de desintoxicação. Perdem o apetite, isto é, o organismo se recusa a ingerir mais toxinas; sobe a temperatura para favorecer a eliminação e o nariz se enche de catarro. Muitas vezes as mães obrigam às crianças a comer ou pelo menos a tomar um copinho de leite enquanto aplicam antipiréticos e antibióticos.

No Tarot Terapêutico, a tendência que o ser tem de recuperar sua saúde é expressada nas cartas da posição da Necessidade Interna. Também queremos saber como iremos evoluir durante o tratamento, isto é, como vai ser nosso caminho de recuperação e que atitudes deveremos tomar para atingir os resultados esperados. Tudo isso é mostrado pelas cartas do Caminho de Crescimento e dos Resultados Externo e Interno.

É claro que podemos dispor várias cartas para cada posição, formando assim um mapa do processo que o indivíduo está vivenciando, dando as orientações precisas para que dê uma bela guinada na vida.

Veet Pramad

Veet Pramad (Enrique Amorós Azpeitia), espanhol, estudou Ciências Químicas na Universidade Central de Madrid.

Pesquisa e trabalha com o Tarô desde 1980. Criou em 1987 o conceito de TARÔ TERAPÊUTICO a partir de varias abordagens terapêuticas – Osho, bioenergética, processo Fisher-Hoffmann, biodança, psicodrama, etc. e das suas experiências com diferentes tradições em dez anos de viagens: Afeganistão (77), Índia (77, 78, 83, 84, 90 e 91), Nepal (77, 83), Tailândia (91), Hong Kong (91) México (78), Guatemala (79) Peru e Bolívia (80, 82) Brasil e Chile onde morou fazendo música, leituras e cursos de Tarô.

Criou um novo sistema de leitura, A LEITURA TERAPÊUTICA que transforma o Tarô num instrumento para sintonizar a pessoa com a sua essência, identificando e ajudando a resolver padrões de comportamento que impedem a realização pessoal. Sistematizou esta visão em 1989 no livro “CURSO DE TARÔ E SEU USO TERAPÊUTICO” atualmente em espanhol pela editora Yug do México e em português pela editora Madras de São Paulo.

Integrando a numerologia e o Tarô Terapêutico, criou o conceito de DESAFIO e desenvolveu o de LIÇÃO DE VIDA proporcionando uma nova ferramenta para calcular, compreender e aproveitar os ciclos numerológicos da pessoa na tiragem do tarot.

Com o título de “TARÔ E NUMEROLOGIA. DESAFIOS E LIÇÕES DE VIDA” este livro já está disponível em espanhol e em breve em português também pela editora Madras.

Fundou a ESCOLA INTERNACIONAL DE TARÔ TERAPÊUTICO com alunos na Espanha, Portugal, México, Chile e Brasil, onde se desloca todos os anos, com o objetivo de fazer consultas particulares e ainda, proporcionar formação - em cinco módulos distintos e complementares - aos candidatos à profissionalização em Tarô Terapêutico.

Publicou em edições bilingues dois contos infantis “Viagem a Arret” e “A verdadeira historia do Papai Noel” e actualmente trabalha num romance autobiográfico. É colaborador regular das revistas “Osho Times” e “El Buscador” da cidade de México e Guia Lotus de Brasilia.

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